O Boletim de Fevereiro explica quais são as limitações da PIM-PF para retratar a indústria do ES

Uma das formas de acompanhar o desempenho das atividades do setor industrial do Espírito Santo é por meio da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF) do IBGE.

Os indicadores de volume de produção física da PIM-PF mostraram que, em 2019, a produção total da indústria capixaba caiu -15,7% na comparação contra 2018. Tanto a indústria extrativa (-21,1%) como a de transformação (-10,3%) apresentaram retrações significativas nessa base de comparação.  

Entretanto, ao analisar outras informações econômicas, também de 2019, os indicadores da indústria geral capixaba não retraíram nas mesmas proporções da registrada pela PIM-PF: o ICMS arrecadado na indústria pelo Estado do Espírito Santo apresentou um crescimento real de 1,3% no ano; houve a criação de 1,3 mil postos de trabalho formal; e as exportações industriais caíram apenas -0,9%. Assim, ao colocar lado a lado os resultados da produção física industrial com os outros dados, percebe-se que não há uma convergência direta entre eles. Essas diferenças advêm dos aspectos metodológicos das estatísticas do setor.

A PIM-PF é uma pesquisa amostral: 

Enquanto as estatísticas de exportações, emprego formal e ICMS compreendem a totalidade das informações, a produção física da indústria é calculada a partir de uma pesquisa amostral.

O índice da produção física é composto por apenas cinco atividades industriais no Espírito Santo:

Nem todas as 26 atividades da estrutura industrial de um estado são contempladas pela PIM-PF. Como critério de seleção, o IBGE fornece os volumes mensais de produção física apenas para as atividades que, em conjunto, responderam por 80,0% do Valor da Transformação Industrial (VTI) da região em 2010. No Espírito Santo, apenas cinco atividades industriais responderam por 86,3% do VTI nesse ano: indústria extrativa (54,6%); fabricação de produtos alimentícios (7,0%); fabricação de celulose, papel e produtos de papel (7,6%); fabricação de produtos de minerais não-metálicos (7,4%); metalurgia (9,8%). Dessa forma, a PIM-PF fornece o índice de volume da produção apenas para esse conjunto de atividades no estado.

Como consequência desse critério de seleção, a PIM-PF não pesquisa os outros 21 ramos industriais presentes na estrutura industrial do Espírito Santo como, por exemplo, produtos de metal, extração de minerais não-metálicos, confecção e calçado e madeira e móveis. Em 2019, as 21 atividades não incluídas na PIM-PF foram responsáveis por 21,6% das exportações do setor industrial e pela criação de 46,6% dos novos postos de trabalho formal da indústria.

Os pesos das atividades e produtos refletem a estrutura industrial de 2010:

O sistema de ponderação baseado na estrutura industrial do ano de 2010 também determina a distribuição dos pesos das atividades e produtos pesquisados para a composição do índice da produção física da indústria geral. No caso do Espírito Santo, a indústria extrativa (54,3) possui maior influência estatística sobre a determinação do resultado da indústria geral do que as demais atividades da indústria de transformação (45,7).

Porém, essa composição não retrata fielmente a mais recente composição do setor no Espírito Santo. Na passagem de 2010 para 2017 houve uma mudança significativa na estrutura industrial capixaba: a indústria de transformação voltou a ter uma maior participação no VTI do estado (53,7%). Dessa forma, caso a PIM-PF acompanhasse as alterações estruturais do setor, a indústria extrativa deveria ter a sua influência sobre o resultado da indústria geral reduzida, enquanto as atividades da transformação teriam seus pesos aumentados.

A cobertura amostral dos produtos pesquisados é de 79%:

A PIM-PF pesquisa apenas 30 produtos industriais no Espírito Santo, que representavam uma cobertura amostral de 79% em 2010. Logo, além de não abranger toda a estrutura industrial do estado, essa pesquisa não contempla a totalidade dos produtos fabricados nas cinco atividades industriais selecionadas.

Essa lista de produtos da PIM-PF não considera importantes itens da pauta exportadora do Espírito Santo. Em 2019, dos 20 produtos industriais mais exportados pelo estado, nove não eram pesquisados pelo IBGE. Entre os não contemplados estão o mármore, quartzitos, pedras de cantaria, café solúvel, tubos plásticos e bobinas ou chapas de outras ligas de aço.

Mesmo apresentando limitações, como qualquer pesquisa amostral, a PIM-PF não perde a sua relevância como um indicador mensal para a mensuração do desempenho da indústria do Espírito Santo.

    O Boletim Econômico Capixaba é uma publicação mensal do Ideies sobre a conjuntura econômica do Espírito Santo e do Brasil. Além das seções fixas sobre temáticas conjunturais, todos os meses são trazidos um assunto em destaque ou um texto de um especialista convidado.

Confira na íntegra os aspectos metodológicos da PIM-PF na seção de destaque do Boletim de janeiro clicando aqui (PDF)A publicação também contém análises sobre o cenário econômico, desempenho industrial, comércio exterior, crédito, finanças públicas e um box especial sobre os impactos do coronavírus COVID-19.

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