Espírito Santo exporta US$ 3,7 bi no 3° tri de 2019, apesar de redução da demanda mundial

O crescimento econômico mundial para 2019 foi estimado em 3,0%, o nível mais baixo desde 2008/2009, segundo o FMI. O acirramento das disputas comerciais entre os países eleva a incerteza com relação ao desempenho da economia global e prejudica as decisões de investimentos, o que vem impactando diretamente na produção manufatureira. 

A estimativa para o volume de comércio mundial, considerando as exportações e as importações, em 2019 foi reduzida para 1,2%, no relatório de outubro da OMC, o novo valor é muito inferior à última estimativa divulgada em abril que era de 2,6%. 

Para o Espírito Santo, o impacto da desaceleração da economia mundial em 2019 pelo lado das exportações foi notado até o segundo trimestre, quando a variação foi de -11,7% em relação ao mesmo período de 2018. No período de julho a setembro de 2019 as exportações tiveram um salto de 44,0% em relação ao mesmo período do ano anterior. 

Apesar da impressão de que as exportações capixabas retomaram o crescimento no terceiro trimestre de 2019, o aumento foi causado por um fato único que foi a venda de uma plataforma de petróleo. Assim, ele não reflete a recuperação do crescimento das exportações do Espírito Santo que ainda está sujeito à melhora da demanda mundial. 

O valor das exportações do Espírito Santo acumulado de janeiro a setembro de 2019 foi de US$ 7,0 bilhões, alcançando o maior nível para o período desde 2015. A diferença acumulada em 2019 em relação ao valor exportado pelo estado para o mesmo período em 2018 é de US$902,5 milhões. O crescimento acumulado do valor das importações de janeiro a setembro de 2019 também foi muito significativo, o que impactou negativamente no saldo da balança comercial capixaba que teve incremento de US$157,2 milhões em relação ao ano anterior.

PRINCIPAIS PRODUTOS EXPORTADOS DE JANEIRO A SETEMBRO

 • O principal produto exportado pelo Espírito Santo, o minério de ferro, acumulou queda de 18,6% nas exportações entre janeiro e setembro de 2019, com redução do volume total exportado maior do que 5,5 toneladas em relação ao ano passado. Neste ano, o estado registrou vendas menores de minério de ferro para todos os seus principais blocos de destino na comparação com o valor acumulado até o terceiro trimestre de 2018. 

 • O segundo produto de maior valor exportado pelo Espírito Santo este ano foi a plataforma de petróleo, cujo valor unitário foi equivalente a 21,2% do total das exportações do estado acumulado no ano. A venda da plataforma de petróleo representou um aumento em torno de US$ 1,5 bilhões para a balança comercial do estado e foi muito significativo para um crescimento do valor total das exportações da indústria de transformação, sem o qual não teria percebido variação positiva em relação ao mesmo período do ano passado.

A trajetória do comércio exterior do Espírito Santo até setembro de 2019 assumiu a direção de crescimento do valor exportado e importado, ou seja, de uma corrente de comércio maior do que no ano anterior. Mas, as bases para fechar o ano com um resultado maior ainda são frágeis, dado que o valor das exportações foi elevado pela venda de uma plataforma, o que compensou temporariamente pela situação de queda significativa nas vendas de produtos muito relevantes para a pauta do Espírito Santo, como os minérios de ferro, as pastas químicas de madeira e os produtos semimanufacturados de ferro ou aço. Além disso, as importações apresentaram uma forte tendência de crescimento no ano, o que pode vir a gerar uma deterioração do saldo comercial, caso as exportações não cresçam na mesma medida nos próximos meses.

Com a expectativa de desaceleração do crescimento da economia mundial e a pressão sobre o volume de comércio mundial em 2019, o final deste ano ainda é de muita incerteza para os exportadores.