Os desafios do desenvolvimento econômico já estão batendo à porta: e nós já estamos atrasados, por Ednilson Silva Felipe

O Boletim Econômico Capixaba de abril trouxe em destaque um texto do especialista convidado Ednilson Silva Felipe. Ele é professor do Departamento de Economia da UFES e doutor em Economia pela UFRJ. Confira abaixo os principais trechos:

A economia capixaba, no período de 1960/1970, passou por profundas mudanças em sua estrutura produtiva. Aquela mudança, como já diversas vezes apontado, mudou radicalmente a natureza e a direção do desenvolvimento econômico-social capixaba. Saímos de uma situação de profunda crise e inaugurou-se outro ciclo que integrou definitivamente o Espírito Santo à economia nacional e internacional.

De fato, o Espírito Santo vem apresentando taxas acima da média nacional nas últimas décadas, melhorando seus índices de desenvolvimento humano.

Contudo, é clarividente que paira sobre os fazedores de políticas no Espírito Santo, sobre os dirigentes das organizações industriais e comerciais, sobre a academia e, de forma geral, sobre todos aqueles que se dedicam a pensar o futuro do Espírito Santo, a constatação de que a elevação do PIB, embora crucial, não nos levou, por si só, a novos patamares de desenvolvimento. Ou seja, começamos a formar um consenso, cada vez mais claro, em torno da ideia de que é necessário – urgentemente – criar as condições para que a economia capixaba entre num novo clico de desenvolvimento.

É latente, também, a percepção de que os benefícios da dinâmica recente de crescimento não foram igualmente distribuídos no território capixaba. Os desafios quanto a isso já estão, há algum tempo, batendo à porta e, de certa forma, já estamos atrasados em dar as respostas e em construir as políticas e instrumentos que permitirão ao Espírito Santo não somente aumentar a produção de riqueza, mas também, em termos sociais, distribuir regionalmente melhor os ganhos desse crescimento. Mas é claro: há também o consenso de que esse processo é muito mais difícil e mais complexo do que apenas continuar crescendo.

O desenvolvimento econômico precisa ser pensado, então, como um fenômeno (a) complexo, já que não se restringe à dinâmica positiva do PIB; (b) multifacetado, o que significa que seu edifício não é construído exclusivamente pela face econômica. Envolve também, mas não exclusivamente, aspectos sociais (segurança pública, saúde, condições mais dignas de vida, etc), institucionais (segurança jurídica, harmonia entre os poderes, diminuição do oportunismo e da impunidade) e ambientais (sustentabilidade ambiental das atividades econômicas, diminuição da poluição urbana). Por fim, é (c) idiossincrático, o que quer dizer que é um processo que não pode ser copiado nem importado de outros lugares.

    Quando passamos a discutir esse desenvolvimento em termos regionais, chegamos as seguintes constatações:

    1. O desenvolvimento econômico é um fenômeno institucional;
    2. O desenvolvimento econômico é, pela sua própria natureza, um processo desigual;
    3. Em cada estágio do desenvolvimento, instrumentos e políticas diferentes.

A premissa que queremos levantar, então, é que uma política que pretenda diminuir a grande disparidade regional no Espírito Santo precisa levar em conta aspectos locais como: (a) a evolução das estruturas produtivas; (b) a evolução do ambiente institucional e o papel dos mecanismos de coordenação; (c) um diagnóstico que apresente as razões do baixo nível de inovação e da fragmentação do fluxo de conhecimento para as regiões.

Formulada dessa forma, uma política de desenvolvimento somente apresentará resultado se considerar as perspectivas econômica, geográfica, política e de coordenação que promova e facilite a inovação e a capacidade inovativa do empresariado local.